Empresários luso-venezuelanos pedem ao PS a reativaçao das relações Portugal-Venezuela
Um grupo de empresários luso-venezuelanos pediu no domingo ao líder do PS, José Luís Carneiro, que interceda junto do Governo português para reativar as relações bilaterais entre Lisboa e Caracas.
«É preciso fortalecer os laços entre Portugal e Venezuela, porque neste momento estão em zero. É importante que leve esta mensagem ao Governo português. Uma vez que há um Presidente novo, a sua nova gestão pode intervir», disse Pablo Silva durante um almoço promovido por empresários.
Este conhecido empresário de Los Teques explicou ainda que a Venezuela «é um grande país, que está a trabalhar, a produzir cada dia mais» e que os «lusodescendentes acreditam e continuam» a fazer investimentos locais.
Após fazer referência a vários exemplos de novos investimentos, explicou que seria bom que «em Portugal entendam que a Venezuela não é só políticos».
«Somos todos (…) Há uma grande população luso-venezuelana, que é muito apreciada inclusive por alguns políticos venezuelanos que estão hoje no Governo», notou. «Falta aquele tema diplomático que não funciona», completou.
Durante o encontro, que reuniu uma centena de portugueses, a representante dos empresários Fátima dos Ramos leu um comunicado dos profissionais lusodescendentes, que pretendem ser «uma ponte estratégica para o futuro» e para a recuperação económica da Venezuela.
«É preciso reforçar e promover os canais de comunicação bilaterais para que permitam abordar questões de interesses em comum. Estreitar vínculos (…) incentivar parcerias que permitam às empresas de capital português na Venezuela operar com investimentos protegidos, impulsionar a cooperação e contribuir para o progresso de ambas nações», disse.
Questionado sobre o pedido dos empresários, o secretário-geral do PS disse que iria transmitir ao primeiro-ministro e a outros responsáveis pelo Estado português o conteúdo das conversas que teve com os luso-venezuelanos.
«Transmitiram-nos a vontade e também a necessidade de recuperarmos o diálogo entre as câmaras de comércio e entre os empresários portugueses e luso-venezuelanos para aproveitarmos o que há de melhor nos nossos países. Aquilo que assumimos foi procurar pela via parlamentar, nomeadamente no diálogo interparlamentar, valorizar essa relação e poder contribuir para o relançamento das relações empresariais, económicas e o mesmo é dizer do relançamento das relações entre os dois povos, Portugal», disse.
O secretário-geral do Partido Socialista, José Luís Carneiro, disse hoje que o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yván Gil, se mostrou disponível para acompanhar a situação de pelo menos quatro luso-venezuelanos que estão detidos no país.
«Foi com muita satisfação, foi com uma atitude muito construtiva que este encontro decorreu. Yván Gil deixou ficar uma palavra de grande consideração aos portugueses e aos lusodescendentes que aqui se encontram, e também assumiu a sua disponibilidade para acompanhar de perto estas questões que se colocam em relação aos portugueses que se encontram ainda detidos», disse, em declarações à Lusa.
José Luís Carneiro falava à agência Lusa no Ministério das Relações Exteriores da Venezuela, no domingo, à saída de um encontro com o ministro Yván Gil, durante o qual esteve acompanhado pelo presidente do grupo parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias, e pelo responsável pelo departamento das Comunidades Portuguesas do PS, Paulo Pisco.
«Foi um encontro muito construtivo em que nos foi transmitida uma palavra de especial saudação da parte da Presidente, Delcy Rodriguez, que pediu compreensão para o facto de sábado ter havido uma alteração do programa de última hora e que impediu que nos pudéssemos encontrar no decurso do tempo disponível», começou por explicar.
O líder do PS afirmou que Yván Gil mostrou-se «muito disponível» para as questões que lhe foram colocadas, nomeadamente a questão dos detidos portugueses, para os quais pediu «uma especial consideração».
«Para além disso, comprometeu-se connosco em garantir a continuidade da proximidade e do apoio e de valorização da comunidade portuguesa na Venezuela», disse.
Fuente: expresso.pt
