No Parlamento Europeu, presidente diz que não há “portugueses puros, mas diversos”
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa (C), intervém na sessão plenária do Parlamento Europeu, em Estrasburgo, França, 21 de janeiro de 2026. O PE celebra os 40 anos de adesão de Portugal e Espanha à então Comunidade Económica Europeia.
Neste dia 21, o presidente português afirmou, no Parlamento Europeu, que “não há portugueses puros, há portugueses diversos”, frisando que o país se formou “num caldo de etnias, de culturas e de religiões”.
Num discurso no Parlamento Europeu, numa sessão comemorativa dos 40 anos da adesão de Portugal e Espanha à então Comunidade Econômica Europeia (CEE), Marcelo Rebelo de Sousa salientou que o Reino de Portugal “nasceu na Europa e nasceu de linhagens europeias”, recordando a ligação materna de D. Afonso Henriques ao Reino de Leão, que mais tarde “formaria o Reino de Espanha”, e paterna ao Duque de Borgonha, “que ajudaria a formar o Reino de França”.
“Mas nasceu também de linhagens vindas de outras Europas, do Norte, do Sul, do Oeste e do Leste. E de África e das Ásias. Mais tarde, das Américas e das Oceanias. Num caldo de etnias, culturas e religiões”, afirmou.
O Presidente da República frisou que os portugueses são “europeus desde as raízes”, mas essas “raízes mesclaram-se, logo à partida, com as de outros continentes e outros universos”.
“Por isso, não há portugueses puros. Há portugueses diversos, na sua riqueza cultural”, afirmou, recebendo um aplauso de alguns eurodeputados.
Marcelo Rebelo de Sousa acrescentou que os portugueses são “europeus na língua, na cultura, na História”. “E, porque europeus, universais”, disse.
Depois, num breve esboço da história de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa frisou que o país, do século XV aos séculos XIX e XX, viveu “uma saga constante na Europa continental e fora dela”, porque, a partir do século XV, os portugueses “atravessaram oceanos” e “tocaram ilhas e continentes”.
“E fomos, muitas vezes, mais felizes a navegar e a correr mundo do que nas guerras europeias”, frisando que, no que se refere a Espanha, Portugal “conquistou independência, guerreou para a manter, perdeu-a e recuperou-a”.
“Até ao século XVII, foi um desassossego constante. Como o foram as guerras continentais em que nos envolvemos”, disse, recordando que, no século XIX, Portugal teve mesmo de garantir a sua independência estabelecendo capital no Império do Brasil.
“Éramos europeus, mas a Europa que nos iluminava não foi sempre portadora de boas notícias”, resumiu.
É por isso, prosseguiu, que “o que há de verdadeiramente diferente e notável é que a integração europeia do século XX, que culminou na adesão há quarenta anos [de Portugal], no mesmo dia da Espanha, com papel cimeiro de Mário Soares e Felipe González, veio mudar a História”.
“Mudou a História europeia. Mudou a história nas relações com o vizinho único por terra, mudou a nossa História. Mudou para a liberdade, para a democracia, para o Estado de Direito, para o desenvolvimento e a Justiça social”, afirmou.
Marcelo salientou que, “depois de séculos de independência baseada nos oceanos e no império, e do inevitável e tardio fim do império, com a formação da multicontinental e multioceânica Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Portugal, Espanha e os Estados que aderiram à UE “começaram uma nova História”.
“Que dura há quase 50 anos e que não teria sido possível sem a Europa, à margem da Europa, contra a Europa. Exemplo singular desta mudança é a fraternidade entre Portugal e Espanha, aqui eloquentemente testemunhada pelos dois chefes de Estado, em representação das respetivas pátrias e povos”, disse.
O Presidente da República afirmou que Portugal “nunca, mas nunca mesmo”, desistirá da Europa.
“Porque desistir da Europa seria, para Portugal, desistir de uma parte essencial e insubstituível de Portugal”, frisou.
Cumprir missão
Na sua chegada, o Presidente afirmou que irá cumprir a sua missão “até ao fim”, frisando que ainda irá nomear chefias militares e tomar “decisões políticas”, mas disse estar pronto para o “próximo capítulo” da sua vida.
Em declarações aos jornalistas à chegada a um hotel em Estrasburgo, Rebelo de Sousa disse que, nos últimos 10 anos, teve “uma missão” e agora “faltam 40 e tal dias para a cumprir até ao fim”.
“Vou cumprir até ao fim. Até ao fim terei de exercer poderes ainda de nomeação de chefias militares, terei de promulgar diplomas, de tomar decisões políticas, o que normalmente não acontece nos últimos dias ou últimas semanas de mandato”, afirmou.
No entanto, Marcelo salientou que, “encerrado isso, é uma nova vida” e reconheceu que, quando tomar posse o próximo Presidente da República, em 09 de março, se irá abrir um “capítulo completamente diferente” na sua vida.
“Estou pronto para o próximo capítulo”, disse.
Sobre as eleições, disse que os portugueses têm uma “ideia muito clara” sobre os dois candidatos que vão disputar a segunda volta das presidenciais e disse estar ele próprio esclarecido, mas rejeitou comentar os seus perfis.
“Eu acho que os portugueses, depois desta campanha toda e pré-campanha, têm uma ideia muito clara, tinham uma ideia muito clara na primeira volta, têm uma ideia muito clara na segunda volta. Eu estou esclarecido”, afirmou Marcelo.
No entanto, Marcelo recusou-se a comentar os perfis de António José Seguro ou de André Ventura, frisando que esta é a “altura do silêncio” e que, “quando há segundas voltas, o Presidente em funções não se pronuncia, nomeadamente sobre os resultados da primeira volta”.
Fuente: mundolusiada.com.br
