Presidenciais: Emigrantes frustrados com as dificuldades de sempre no acesso ao voto
A escolha do Presidente pelos eleitores portugueses no estrangeiro é feita presencialmente.
Emigrantes portugueses sentem-se frustrados por se manterem as dificuldades de acesso ao voto de que se queixam há anos, embora acreditem que a participação destes eleitores continuará a aumentar, segundo um movimento que os representa.
Paulo Costa, presidente e fundador do movimento Também Somos Portugueses (TSP), disse à Lusa que muitos dos portugueses no estrangeiro sentem “uma grande frustração porque a Assembleia da República não tem feito modificações no sentido de simplificar as leis eleitorais”.
E atribui esta inércia à falta de interesse, considerando que este desinteresse se deve ao número de votos.
“Todos os partidos fazem muito as suas contas eleitorais e sempre que se falam em alterações às leis eleitorais, a primeira coisa que os partidos políticos fazem é fazer as contas para saber se vão ganhar ou perder deputados com isso”, disse.
Em relação à eleição para o Presidente da República, que se realiza no domingo, Paulo Costa diz que, ao contrário das legislativas, em que “um voto de um português no estrangeiro vale menos do que um voto de um português em Portugal”, nesta eleição “todos os votos vão estar por igual”.
A legislação define que a escolha do Presidente da República pelos eleitores portugueses a residir no estrangeiro é feita presencialmente, no dia anterior ao marcado para a eleição e no próprio dia da eleição.
Apesar do esclarecimento promovido pelo Governo português, são significativos os eleitores com dúvidas, alguns ainda a aguardar o boletim de voto para votar por via postal, como é possível no caso das eleições legislativas.
Por esta razão, Paulo Costa defende, e garante que isso mesmo o TSP vai propor à Assembleia da República, que os eleitores sejam contactados através de um email, com a informação sobre como votar, em cada ato eleitoral em Portugal.
“Nós somos contactados diretamente pelas Finanças e ninguém perguntou se queria ou não receber emails das Finanças”, disse, acrescentando que esta medida poderia aumentar a participação eleitoral dos emigrantes portugueses.
Apesar das dificuldades, o TSP acredita que a participação dos emigrantes nestas eleições vai aumentar, tal como tem acontecido nos últimos atos eleitorais.
Nas últimas eleições presidenciais, em 2021, votaram 29.153 (1,88%) do tal de 1.549.380 de eleitores portugueses inscritos no estrangeiro.
No sufrágio anterior (2016), tinham votado 4,69% dos eleitores inscritos que, na altura e antes do recenseamento automático, eram 301.463.
Segundo turno
Uma segunda volta nas presidenciais implica novos boletins de voto, mas alguns emigrantes portugueses poderão ter de fazer a sua escolha nos boletins da primeira volta, se os novos não chegarem a tempo, segundo fonte oficial.
Os portugueses vão escolher o Presidente da República no próximo domingo, podendo os eleitores portugueses no estrangeiro fazer a sua escolha nesse dia e também um dia antes, sempre presencialmente.
No caso de existir uma segunda volta, os eleitores emigrantes poderão votar em 07 e 08 de fevereiro.
Isto implica que os boletins de voto para esta segunda volta terão de ser elaborados, impressos em Portugal e enviados para os países onde residem estes eleitores portugueses.
O tempo não é largo e o porta-voz da Comissão Nacional de Eleições (CNE), André Wemans, garante que já existe um plano B para o caso de os novos boletins não chegarem a tempo a todos os eleitores portugueses no estrangeiro.
O objetivo é, existindo uma segunda volta nesta corrida eleitoral, que os novos boletins cheguem aos eleitores, para o que serão acionados os meios possíveis.
Nos casos em que isso não se concretize, e que se espera que sejam pontuais, o plano B pressupõe que a votação seja feita nos boletins da primeira volta, segundo a mesma fonte.
O número de eleitores recenseados para as eleições de domingo é de 11.039.672, dos quais 1.777.019 votam no estrangeiro.
Neste sufrágio votam mais 226.956 portugueses a residir no estrangeiro do que em 2021.
São candidatos a estas eleições Gouveia e Melo, Luís Marques Mendes (apoiado pelo PSD e CDS), António Filipe (apoiado pelo PCP), Catarina Martins (Bloco de Esquerda), António José Seguro (apoiado pelo PS), o pintor Humberto Correia, o sindicalista André Pestana, Jorge Pinto (apoiado pelo Livre), Cotrim Figueiredo (apoiado pela Iniciativa Liberal), André Ventura (apoiado pelo Chega) e o músico Manuel João Vieira.
Fuente: mundolusiada.com.br
